Artes Visuais

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Campo Grande,MS - Quinta-Feira, 18 de Março de 2010

História da Pintura Mural


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Mural de Diego Rivera: Terra Virgem

Introdução


A pintura Mural constitui pois, uma das primeiras formas de expressão artística do homem, já nas cavernas observamos desenhos e pinturas rupestres, a pintura Mural tem raízes no instinto primitivo dos povos de decorar seu ambiente e de usar as superfícies das paredes para expressar idéias, emoções e crenças. Entre os povos mesopotâmicos, egípcios e cretenses, os murais eram empregados para decorar palácios e monumentos funerários, no século XIII, os trabalhos de Gioto deram extraordinário impulso à pintura mural e, a partir de então, surgiram grandes mestres dessa técnica. No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo, e a “Última ceia”, de Leonardo da Vinci. Destacamos o muralismo mexicano, considerado o Renascimento da arte mexicana, foi um movimento artístico singular e de extrema importância para a arte mundial do século XX. O traço fundamental deste movimento é a intervenção social e política através da arte, levando-a ao povo e, através dela, transmitindo uma mensagem de otimismo e solidariedade em relação à sociedade e à humanidade. A temática central é o povo mexicano, a sua vida, a sua história e os seus valores, a melhor forma de fazer passar a mensagem ao povo de um modo simples e compreensível. Isto foi realizado através de uma técnica monumental, a pintura mural, que tornava a arte acessível às massas e que foi levada a cabo com grande talento pelos grandes pintores mexicanos Orozco, Rivera e Siqueiros. A pintura muralista no Brasil, quem se destacou foi Portinari, executou várias obras em Pintura Mural, nas técnicas de afresco e têmpera, nas paredes de sua casa e em uma pequena capela nos jardins da residência. A preservação do conjunto tornou-se imprescindível, uma vez que Candido Portinari e seu legado constituem não só um patrimônio artístico-cultural, mas também histórico, social e político do Brasil e do povo brasileiro. No contexto contemporâneo de Mato Grosso do Sul, destaca-se a pintura mural de alguns artistas: como Ana Ruas, onde ela destaca o cenário da arte local, assim fazendo intervenções pictóricas sobre muros e viadutos da capital Campo Grande; Cleir Ávila, influenciado pelo hiperrealismo, ele retrata em suas obra temas regionais e ecológicos e outros.



Sumário

Conteúdo


Pré História

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Pintura rupestre, Caverna de Lascaux, França.

Um dos períodos mais fascinantes da história humana é a Pré-História. Esse período não foi registrado por nenhum documento escrito, pois é exatamente a época anterior à escrita. Tudo o que sabemos dos homens que viveram nesse tempo é o resultado da pesquisa de antropólogos, historiadores e dos estudos da moderna ciência arqueológica, que reconstituíram a cultura do homem. Paleolítico Superior - a principal característica dos desenhos da Idade da Pedra Lascada é o naturalismo. O artista pintava os seres, um animal, por exemplo, do modo como o via de uma determinada perspectiva, reproduzindo a natureza tal qual sua vista captava. Atualmente, a explicação mais aceita é que essa arte era realizada por caçadores, e que fazia parte do processo de magia por meio do qual procurava-se interferir na captura de animais, ou seja, o pintor-caçador do Paleolítico supunha ter poder sobre o animal desde que possuísse a sua imagem. Acreditava que poderia matar o animal verdadeiro desde que o representasse ferido mortalmente num desenho. Utilizavam as pinturas rupestres, isto é, feitas em rochedos e paredes de cavernas. O homem deste período era nômade. Antes de pintar as paredes da caverna, o homem fazia ornamentos corporais, como colares, e, depois magníficas estatuetas, como as famosas “Vênus”.

Existem várias cavernas pelo mundo, que demonstram a pintura rupestre, algumas delas são:

  • Caverna de ALTAMIRA, Espanha, quase uma centena de desenhos feitos a 14.000 anos, foram os primeiros desenhos descobertos, em 1868. Sua autenticidade, porém, só foi reconhecida em 1902.
  • Caverna de LASCAUX, França, suas pinturas foram achadas em 1942, têm 17.000 anos. A cor preta, por exemplo, contém carvão moído e dióxido de manganês.
  • Caverna de CHAUVET, França, há ursos, panteras, cavalos, mamutes, hienas, dezenas de rinocerontes peludos e animais diversos, descoberta em 1994.
  • Gruta de RODÉSIA, África, com mais de 40.000 anos.

Idade Média

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Giotto,Cenas da vida de Cristo Lamentação,afresco,
200x185 cm,Cappela Scrovegni, Pádua.

A nitidez da cor e a precisão do traçado dos perfis caracterizou a pintura mural da Idade Média e, em especial, a das construções românicas, nas quais costumavam receber afrescos as absides e os painéis laterais das igrejas, com figuras religiosas em atitude hierática. Manifestações importantes da arte mural românica são as igrejas de Berzé –en-Ville, na França, de Oberzell e Reichenau, na Alemanha, e de Tarrasa e Tabull, na Espanha. No século XIII, os trabalhos de Gioto deram extraordinário impulso à pintura mural e, a partir de então, surgiram grandes mestres dessa técnica.


Renascimento

No Renascimento, foram criadas algumas obras-primas do muralismo, como os afrescos da capela Sistina, por Michelangelo, e a “Última ceia”, de Leonardo da Vinci.

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Michelângelo,"A Criação de Adão",::
afresco de Michelangelo Buonarroti,
no teto da Capela Sistina em Roma, 1508-1512
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Da Vinci, A Última Ceia, 1495-1498
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Arte Moderna

Com o interesse progressivo por tapeçarias e vitrais para uso na decoração de interiores, a pintura mural entrou em decadência no Ocidente. Executados os murais pintados por Rubens, Tiepolo, Delacroix e Puvis de Chavannes, houve poucas obras importantes após o Renascimento. No século XX, no entanto, a pintura mural ressurgiu, com todo vigor, em três fases principais: um gênero mais expressionista e abstrato que surgiu a partir de grupos cubistas e fauvistas, em Paris, e se manifestou nos trabalhos de Picasso, Matisse, Léger, Miró e Chagall; outro que se manifestou a partir do movimento mural de curta duração, na década de 1930, nos Estados Unidos.


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Mural of Picasso's "Guernica" in the town of the same name.

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Tile: Mural Matisse Window, 18 tiles 4 1/4".

Muralismo Mexicano

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Civilization—The Arrival of Quetzalcoatl
by José Clemente Orozco, Fresco, 1932

A tradição milenar da pintura mural, também praticada por algumas culturas pré-colombianas, ressurgiu nas primeiras décadas do século XX no México, coincidente com um movimento revolucionário. Os artistas da época viram no muralismo o melhor caminho para plasmar suas idéias sobre uma arte nacional popular e engajada. Como manifestação genuinamente nacional, o muralismo mexicano consegui produzir profundo impacto do panorama pictórico mundial.
As primeiras obras remontavam a 1910, ano em que Gerardo Murillo, conhecido como Doutor Atl, e vários estudantes da Academia de São Carlos organizaram uma exposição de arte e se propuseram decorar com murais o anfiteatro da escola Preparatória, na Cidade do México. Ao deflagra-se a revolução, o projeto foi interrompido, mas as bases do movimento artístico já tinham sido assentadas.
Trata-se de uma arte monumental e política, elaborada por artistas combativos, e aberta a todo o povo. Seus cultores pretendiam também valorizar a cultura pré-hispânica. Essas idéias foram expostas num manifesto redigido em 1921 pelo pintor David Alfaro Siqueiros. Na mesma época regressava ao México Diego Rivera, que tivera contato direto com uma vanguarda artística européia e se impressionara profundamente com os afrescos renascentistas italianos. A situação política do México e seu acervo histórico pré-colombiano e colonial inspiraram a temáticas da maioria dos murais. Na maior parte das composições estavam representados indígenas, conquistadores espanhóis, camponeses, operários, políticos e revolucionários.
Siqueiros e Rivera, juntos com José Clemente Orozco, dominaram a pintura muralista mexicana. Orozco era o mais manifestamente expressionista dos três e entre seus temas figuram a conquista e a evangelização do país. A obra de Rivera, o mais conhecido internacionalmente, tem como tema mais freqüentes o indigenismo, a industrialização e a história do México. Siqueiros, o mais revolucionário e inconformista, imprimiu a sua obra uma exaltação da liberdade e um sentido anti-capitalista.


  • DAVID ALFREDO SIQUEIROS
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From the Dictatorship of Porfirio Diaz to the Revolution—The Revolutionaries
by David Alafaro Siqueiros Acrylic on plywood, 1957-65

Nasceu em Chihuahua, em 29 de dezembro de 1896. Ao completar 15 anos foi matriculado na renomada academia de San Carlos.
Em 1914 tornou-se capitão do Exército Revolucionário do General Carranza. Já em 1919 foi nomeado agregado militar da embaixada Mexicana na Espanha.
Em 1922 de volta ao México, funda com Rivera e Oroszco a Escola de Muralistas. Em 1937 ele abandona a pintura e alista-se outra vez nas brigadas estrangeiras.
Ganha grande prêmio da Bienal de Veneza em 1950, sendo considerado um mestre.
Dez anos depois é detido e pinta cerca de duzentos quadros em dois anos e projeta um novo mural “A marcha da humanidade” que será realizado posteriormente.

  • DIEGO RIVERA
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A Dream of a Sunday Afternoon in Alameda Park
by Diego Rivera, Fresco, 1947-8

Nasceu em 8 de dezembro de 1886, em Guanajuato, cidade do Norte do México. Entra na academia de San Carlos em 1896. Em 1902 desliga-se da academia fazendo sua primeira exposição e vai para a Espanha. Dezenove anos depois, juntamente com Siqueiros e Orozco, funda o sindicato dos pintores e assim inicia a sua vasta pintura mural. Expõe no Museu de Arte Moderna de Nova York em 1931. Em 1957 morre vítima de uma ataque cardíaco.

  • JOSE CLEMENTE OROZCO
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The Rich Banquet while the Workers Fight
by José Clemente Orozco, Fresco, 1923

Nascido na cidade de Guzmám, província de Jalisco, em 23 de novembro de 1883, foi aos 8 anos para o México com sua família. Em 1910 participa de mostra coletivas de estudantes de artes, expondo individualmente seis anos mais tarde. Integra-se no movimento dos Muralistas com Siqueiros e Rivera no ano de 1922. Quando regressa ao México em 1934, torna-se internacionalmente famoso. O instituto de Belas Artes do México organiza em 1947 uma retrospectiva em sua homenagem e dois anos depois morre na cidade do México no dia 7 de setembro.

ARTE MURAL EM CAMPO GRANDE MS

O homem ser capaz de narrar sua própria historia, tem na arte um meio eficaz para demonstrar suas relações individuais e coletivas sua visão do mundo.
No brasil, a linguagem plástica nacional surgiu com o modernismo, ressaltando os valores culturais brasileiros sob a ótica do fortalecimento de uma realidade explorada e da situação de dependência econômica e cultural do pais. Favoreceu também a afirmação do regionalismo, que propõe a busca de uma identidade do homem com a natureza e a cultura da terra, como se escreve Aline Figueiredo.
Antes dos anos 60, ainda em Mato Grosso os artistas trabalham individualmente sem base em movimentos, mas foram eles que prepararam as bases para o que é arte do Estado hoje. Podemos citar nomes como: Lídia Baís, Ignês Corrêa, Antonio Vila Burgos e Marina Gatass.
Em 1965 surgiu a AMA - Associação Mato-grossense de Artes, surgindo, então, um movimento artístico em Mato Grosso, e com ele as exposições, mostras e cursos de artes e participações de artista da região em eventos nacionais e regionais.
Em Mato Grosso do Sul, após a divisão do Estado de Mato Grosso, os artistas buscaram uma identidade própria para representar o seu espaço cultural, provocando assim o isolamento e a divisão da linguagem artística Sul-Mato-Grossense em dois pólos: o do regionalismo, desligado do passado e do aventueirismo dos que aqui chegavam, registravam fatos, recolhiam materiais e técnicas e em nada contribuíam.
Em 1974, coincidindo com o período culminante do movimento divisionista, houve um esfriamento na agitação cultural. A Universidade Estadual, hoje Federal, não apoiava a movimentação cultural que acontecia, porém, com Campo Grande se tornando capital esse quadro mudar, já que o governo influenciaria cotidianamente.
A futura historia da cultura campo-grandense tem base nesse período e mais tarde com o aparecimento da fundação de cultura, que assim, desperta e lança um verdadeiro perfil cultural para Mato Grosso do Sul.
No final dos anos 70 e início dos anos 80 surgiu uma linguagem regionalista madura, consciente que reservava espaço para o primitivismo e uma outra que explorava novos materiais e técnicas, que compreendiam uma linguagem contemporânea superando necessidades temáticas, firmando em linguagem individuais e aderindo ao espaço regional.
A arte de Mato Grosso do Sul teve como sua principal divulgadora Aline Figueiredo e como participantes ativos da história Humberto Espíndola, Jorapimo e Ilton Silva, que aqui permaneceram, depois da divisão do Estado, dando continuidade ao seu trabalho. Podemos ainda citar Carla de Cápua, Darwin Longo de Oliveira, Elios Longo de Oliveira (Lelo), dentre outros.
CLEIR ÁVILA FERREIRA JÚNIOR
Cleir Ávila Ferreira Júnior, natural de Campo Grande – MS, autoditada, pinta profissionalmente desde os 18 anos, iniciou com influência hiperrealista, onde ele retrata em suas obras temas regionais e ecológicos, principalmente a natureza pantaneira, presente em quase toda sua arte.
Em 1994, inicia seu trabalho mural nas laterais dos prédios de Campo Grande. A “:Onça Pintada”(50m de altura e 220m2) levou um mês de execução, “Tuiuiús”(40m de altura e 300m2), seu segundo mural.
Em 1995 pinta a “Arara Azul”(45m de altura e 430mm2). Em 1996 realiza a construção “Monumento das Araras” na praça de Cuiabá. Em 1998 pinta em Corumbá um mural de 700m2, onde ele retrata a arara vermelha em uma de suas paredes e nas outras duas um dourado.
ANA LUIZA RUAS
Ana Luiza Ruas nasceu em Lagoa Vermelha – RS, em 1966. Formou-se no Curso Superior de Artes Plásticas na Universidade de Passo Fundo – RS e fez curso de extensão na Unicamp – Campinas – SP.. Durante seis anos morou em São Paulo e em 1996 radicou-se em Campo Grande – MS, destacando-se no cenário das artes locais. Sua pintura recobriu telas e também grandes superfícies de alvenaria e concreto.
Coincidentemente Ana Ruas está nas ruas de campo Grande, reinventando a cidade com cores alegres e sombras sutis, sugerindo novos espaços por meio da ilusão perspectiva e do estabelecimento de relações visuais entre pontos distantes.
Relações de repetição e integração de formas e cores rompem com o plano do mural e instalam relações espaciais, tridimensionais, esboçando um urbanismo pictórico com idéias e tintas, cores e poesia. Paisagens imaginárias foram construídas aos poucos sobre os muros, entre o céu e o asfalto.
O trabalho que Ana Ruas realizou em sua série de murais propões as reflexões sobre os limites definidores entre a arte e o designe, porque a intenção decorativa é presente e acentuadas nas suas composições.

Referência Bibliográfica

ENCICLOPÉDIA DAS ARTES PLÁSTICAS EM TODOS TEMPOS.“O Mundo da Arte – A Arte Pré-Histórica e Primitiva”.
Sites
<http://www.mural-global.org> Acesso em 30/09/08 às 09h40min.
<http://www.anaruas.com.br/> Acesso em 30/09/08 às 08h10min.

Nota: Este artigo é parte integrante do projeto de oficina pintura mural disponível em <http://br.geocities.com/marcosdeoliveiramonteiro/Enquetes/Historia_da_arte_Mural.htm>, ministrado por: Ari Gonçalves da Silva, Laiza Cardia Souza,Maria de Fátima Arruda e Marcos de Oliveira Monteiro em 2003, orientados pelo Prof.Ms.Darwin Longo de Oliveira sob a supervisão da Profª.Ms.Maria Celene de Figueiredo Nessimian UFMS.

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